Saturday, December 26, 2009

Séculos

"Olá, minha vida. Estive com saudades de você. Quer dizer, ainda estou, é só que quando começo a escrever para você, a saudade dá um tempo. Sabe? Ela dá uma saidinha pro banheiro. Nos deixa em paz. Então é bom aproveitar enquanto ela está longe para declarar todo meu carinho imensurável, porque quando ela voltar provavelmente eu vá querer me aquietar e encolher, perto dos domínios da minha solidão. Porque aí ela será só minha e você se fará distante por mais alguns segundos.
Vida, estive pensando em você. Nossos planos, sonhos, realizações. Eu gosto de acordar com você, talvez mais do que dormir. Acredito que seja pelo fato de, ao acordar, eu geralmente me imagino com você, abraçar você, sentir você, beijar. Te amar. Quando eu acordo e posso olhar seus olhinhos verdes - por causa do sol forte - meu coração acelera. Olhar-te bem de perto e dizer o quanto te amo, apenas com o olhar.
Ah, não há muito o que dizer. Meu coração chama e sabe que te terá por perto logo, logo, mas mesmo assim, ele é carente. Coração mal acostumado com seus carinhos é assim mesmo. Culpa sua! Fico assim, meio murcho, choramingando pelos lados como uma criancinha mimada que deixou seu brinquedo preferido e foi encontrar o lobo mal. Mas não existe nenhum lobo mal, eu não sou criança, muito menos você é um brinquedo. O que acontece é que eu sinto, demais, sua falta no meu coração. Posso acreditar que vais me entender bem?"

Eu te amo, Pequeno <3

Quando o amor é real

O tempo pára
É, pode acreditar
O tempo pára
É, pode se entregar

O mar fica calmo
A tormenta terminou
Vem pros meus braços
Meu amor, juro te entregar isso tudo

Os céus se abrem em felicidade
Onde havia nuvens negras
Cheias de chuva e solidão
Há agora uma possibilidade ímpar
De tornar tudo par

É o singular
Posto na guilhotina do plural
Cabeças rolando
Pensamentos egoístas simplesmente não cabem mais
Tudo agora é nosso

Sabe os dias tristes?
Eles são mais tristes
E os felizes?
Eles são mais felizes
Um carnaval a cada sorriso
Uma marcha fúnebre a cada choro

Quando o amor é real
A distância dói
E o tempo machuca

Quando o amor é real
Falta de atenção é o punhal
Que trai no coração

Quando o amor é real, meu bem
Ele é como o nosso: sincero

~

Monday, December 21, 2009

Angústia

Às vezes me bate no peito uma angústia tão forte que parece que ele vai explodir. Não sei direito de onde ela vem, muito menos o que fazer para ela ir embora. Tudo que eu realmente sei é que ela está aqui (e quer me tirar para dançar)

Eu morro de medo de me sentir assim. Porque essa sensação vai puxando outras, nunca montanha-russa cheia de pavores que me levam a uma estrada aparentemente infinita. Vou me tornando alguém irreconhecível, quase não conseguindo sobreviver o dia após dia. Meu olhos vão se tornando buracos escuros, uma vez que as olheiras tomaram lugar graças às noites mau dormidas, manhãs mau acordadas, dias mau vividos. Vida mau aproveitada.

E tudo vai passando assim: devagar. Os olhares ao meu redor vão se tornando ambíguos e, para me proteger, eu me cubro de rancor. É uma armadura cor de sangue, que escorre ódio por cara poro. Algo que eu não consigo conter (e, naquele momento, eu nem bem quero). Esse espaço vai corroendo tudo que havia de bom em mim. Agora existe o medo e ele faz tudo se tornar assustador. Por isso me protejo.

Essa angústia consegue me tragar dias a fio, até que decida ir embora. Exatamente, até que ela decida ir embora. Não tenho poder algum sobre ela. ~

Dias vão passando, horas se arrastando pela lona do tempo. Tudo vai perdendo a cor, a graça, o prazer... tudo. Não sei o que falar, não sei o que apontar como errado ou certo. Só consigo me imaginar escondido atrás de uma fortaleza de medos e temores que me protegem dos olhares alheios. Até meu próprio corpo se curva para que eu me encolha. Meu olhar não alcança raio maior que 30m chão abaixo.

Angústia ~
Medo
Cadê você?

-

Cadê você?
Cadê?

-

(...)

Tuesday, December 15, 2009

Auto-cobrança

Nada é bom o suficiente. Nada é demais, tudo é apenas o que eu poderia fazer - no mínimo. E eu sempre me cobro mais. Muito mais. Além de tudo, além do universo, além do que eu posso fazer. Às vezes essa mania me faz crescer absurdamente, isto é, quando, com ela, eu sou capaz de alcançar novos horizontes nunca antes vistos. Quando isso acontece, parece que eu sou o homem mais poderoso do mundo! Tudo está ao meu alcance, tudo está sob meu controle. Tudo, simplesmente tudo, é meu agora.

Quando não...

Bem, quando não, "era o que eu esperava". Tudo é transformado em nada e parece que as coisas que eu consegui alcançar até agora são transformadas em pó, que voam pelos ares do fracasso. Cacos de um vidro sujo, que precisava quebrar. Eu vou pisando nesse chão, inseguro, incerto. Vou me cortando nos cacos, sangrando, escorregando, caindo de cara no pó. Isso tudo vai me deixando sujo e machucado. Sem chances nem tempo de cicatrizes. Sem segundas chances. Elas não mudam ninguém. E eu não mudo. Apenas tento me adaptar aos novos desafios que esse jogo maluco me impõe. Quando perco, bem, seria melhor perguntar-me como me sinto hoje, para saber o que acontece quando perco.

Sozinho

"Noite adentro, ou dia afora, isso não importa. Solidão é um estado inerente da alma dele. Ele acorda sozinho, dorme sozinho. Os dias simplesmente passam em grandes sulcos de solidão. Tudo só. Escuro. Frio. O espelho cofirma isso, mas, dessa vez, sem poesia ou prosa, na cara limpa. Solidão nua e crua. Olhe ao seu lado, senhor, não há ninguém."

You gotta face it head on
So you can turn this thing around
'Cause this ain't right...
You have to go eye-to-eye
Raise your face to the sky
'Cause this ain't right...

(Anathema - A Fine Day To Exit)

Friday, December 4, 2009

What's real?

This just cannot be happening
No, it just cannot

Because, all the time I thought about us
All the time I laugh about us
And dreamed about you and me
But now it just seems "so long"
Not a good day anymore

There are two of you
Some kind of reflection in a mirror
With glasses I don't wanna see
With lights I don't wanna feel over me
Is it really over for me?

~ There are two of you. One I love, the other one I fucking love. The first one holds my hand and take me for a ride over the clouds and beneath the seas with just one kiss. This one is able to feel my eyes touching yours so lightly and softly, that I can barelly feel it coming back to me. There is some kind of magic over this one of you. And I love it.

What's real?
Is it just a dream?
It cannot be happening...

~ 'Cause I'm living for the night, waiting for tomorrow. I'm somewhere in between, wanting your hand to take mine and show me the right way, but you just can't look at my eyes anymore. Your soul is no more feeling mine as it felt before, it's only about your body and mine. And I'm over, fatigued, tired. I'm off this. Turn the lights out, but please, I beg you, get out off my room. It may makes no sense at all, but you will understand as the time pass by. Or you won't, it don't matter now. It's now a question of time wheter you understand this or not. The time you should've done is already over (and I'm feeling like a part of me is going to stay with you, but I won't miss it at all).

What's real?
Is it just a dream?
This cannot be happening...

~ I am looking at you, and screaming. But all you do is hold my legs over your head and do what you do better. All you can do is throw away all we've been through over the motel's window. All your love, your kisses, yourself, all about us is now being eated by rats, as you do what you can do better. But please, don't stop, I don't want you to be anything else, nothing different. If you're like that and didn't change even with my eyes begging you to, you won't do it with my words just asking.

What's real?
Is it just a dream?
This cannot be happening...

No more angels songs
No more forever
No more "us"
No more singing along

When you feel your feet hitting the ground
But the best part of you is still falling
This means that you've lost it
It's over and consumed
Let's overcome this!






(someday...)

Wednesday, December 2, 2009

Sua foto

"Quando meus olhos pousam a atenção sobre sua foto, meu coração pára. Não entendo bem a razão, mas entender nesse momento não me leva nem um pouco mais para perto da luz. Tudo que eu quero fazer é continuar olhando sua foto, quando sinto essa sensação tão (aparentemente) assustadora.
Estou olhando sua foto agora. Tudo parece tão estranho. Não para mim, mas para o resto do mundo. Se eu pudesse, eu perguntaria a cada pessoa nesse planeta o que ela sente quando vê a sua foto. 'Olá, pode me dizer o que sente ao olhar essa foto?' Não consigo imaginar a enorme variedade de respostas que eu teria. Acho que variaria do ódio à alegria plena, chegando ao mais óbvio de não sentirem absolutamente nada, uma vez que não te conheciam. Agora, o que eu sinto quando vejo sua foto?
Meus olhos não sabem para onde olhar ao certo, já que conheço teu corpo por inteiro. Cada milímetro dessa imagem impressa em papel de ofício, eu lembro de você. Isso é tudo que eu posso dizer com certeza. Não importa se eu acabei de te ver, parece que você se torna uma pessoa totalmente nova para mim. Um estranho-em-potencial. Aquele tipo de pessoa que a gente não conhece, mas que queremos (muito) conhecer. Continuo observando seu corpinho pequeno, ainda menor, graças à diminuição da fotografia. Ainda lá, eu sou maior que você, mas poderia acontecer o contrário.
Lembra de mim? Sabe quem eu sou? Sente o que eu sinto? Entende o que eu quero te dizer? Ouve o que eu quero te dizer? A vida é muito mais simples quando afundada em complexidade, porque ela não complica, mas ajuda a esclarecer a realidade de maneira única e especial. Eu compreendo tudo que acontece ao meu redor quando penso em pensar em você. É tudo racionável. Tudo controlável. Nesse mínimo instante de contemplação, contudo, não sei dizer o que sinto por você. É um misto de felicidade, curiosidade e paixão, muita paixão. Seu corpinho lindo, encolhido para caber na lente de uma câmera fotográfica, encolhido para caber no meu coração, quando ele se aperta de saudades. Mais uma vez: não importa se te vi há alguns poucos instantes, o que me importa realmente é que eu sinto sua falta (e a falta faz tudo se tornar tangível).
Quando eu penso em você... ainda não consigo entender o que se passa. Mas, te garanto, no dia que eu conseguir, provavelmente o espaço no meu coração terá se tornado apertado demais para conter-te. Não, que eu não consiga. Ainda tens muito mais a viver dentro de mim (e eu dentro de você). Fecha os olhos, amor, primavera chegou!"

... Continua olhando a foto, então. Não houve nada a temer, nada a dizer, apenas pensamentos libertos em momentos eternos. Tudo na memória. Memória fotográfica.